Negociavam gesticulando, as línguas claramente não eram as mesmas. Ela de pele morena clara, usava um casaco de moleton maior do que o seu tamanho, uma calça jeans e um par de chinelos. Ele branco de cabelos louros, mas não muito. De costas não se podia advinhar sua idade. Alguns metros ao lado havia outra. Essa com cara de pouca paciência, como se estivesse esperando a conversa dos dois para que pudesse definir seu destino. Vestia um top, um pequeno shortinho jeans e um par de sandálias altas brancas.
A conversa dos dois parecia não desenrolar em nada, mas de certo modo poderia se dizer que nenhum perdia a paciência com o outro. A negociação prosseguia sem muito avanço, as mão sinalizavam, na maioria das vezes, números. A boca dela parecia tentar se articular da maneira mais clara possível, quase parodiando as palavras, que eram proferidas num tempo surrealmente longo. Ele olhava fixamente para ela, mas seu corpo balançava sutilmente, dando sinais de que sua noite não havia começado ali. A mais afastada virava-se para a outra e gesticulava apontando com o dedo seu punho esquerdo, sinalizando que já perderam muito tempo e que sua paciência havia se esgotado. A outra lhe responde com a mão aberta, dedos bem afastados em movimentos rápidos para frente e para trás. Parecia que estavam chegando a um acordo.
Finalmente, ao fim de quase cinco incontáveis minutos pôde-se ver um firme dedo polegar em riste sendo agitado ferozmente, como que querendo afirmar, sem dúvidas, que os termos tinham sido alcançados. Neste momento ele leva a mão para trás do corpo e a desliza por dentro do bolso, puxando em seguida uma velha carteira preta. Os olhos dela acompanham atentamente essa movimentação, como se quisessem finalmente ter a prova de que ali se teria fim a negociação. A outra por sua vez, ao notar o desenlace da coisa, mudara radicalmente sua postura. Abandonou a pose sinuosa e impaciente, trocando-a por uma mais elegante e sensual, desenhando um leve sorriso de satisfação no rosto.
O homem tira algumas notas de sua carteira e as entrega à mulher, que instantâneamente abre um grande sorriso. Coloca a mão sobre o ombro do homem puxando-o para um par de beijos de despedida. Então aponta para a outra e sinaliza com as mãos para que venha em sua direção. Revezam-se. A que estava negociando segue para um lado, enfiando o dinheiro no bolso da frente de sua calça, de modo a se certificar de estar bem acomodado. A outra cumprimenta o homem com dois beijos e o conduz pela mão em direção oposta.
Nenhuma das figuras havia compreendido uma palavra sequer daquela negociação. Ali valia mais o movimento das mãos, das bocas, dos olhares e dos corpos. E acima de tudo, Copacabana.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
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