sexta-feira, 15 de agosto de 2008

a espessura das coisas

Todas as coisas tem uma certa espessura. Porém a espessura das coisas não está nas coisas em si. Quando o vento leva um guarda-sol na praia, a espessura do vento. Quando o sol extrai dos homens a água, a espessura do sol. Quando o livro faz o pensamento explodir, a espessura do livro. Quando a morte faz o homem chorar, a espessura da morte. Quando a fé faz o homem perseverar, a espessura da fé. Em tudo há espessuras, nega-las seriam o fim, faria com que todas se passassem por leves, levianas...

Há os homens que não vêem as espessuras. Há os homens que vêem. E por fim os homens que fazem as espessuras. As espessuras que os homens fazem são as mais espessas, são invenções de nós em gota d'água, do saci pererê, do velho do saco. Essas espessuras é que fazem os homens espessarem-se. Sem espessuras inventadas o homem se dispersa, se desespera, se desespessuriza...some.

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